O Livro que me Mostrou a Verdadeira Face da Criminalidade Brasileira
A Guerra por Bruno Paes Manso e Camila Nunes Dias
Eis que este livro caiu em minhas mãos por acaso. Há mais de 25 anos morando fora do Brasil, algo me intrigava: Como o país havia mudando tanto em relação a criminalidade? Ao percorrer as estantes da Livraria Leitura em um Mall de Belo Horizonte, estava em busca de algo que me ajudasse a decifrar esse enigma. A capa me chamou atenção. Li as primeiras páginas… fique fascinado. Achei!
Como escritor, admiro muito um livro bem escrito. E esse é um deles. Abri, comecei a ler e não mais parei. De fácil leitura, é um daqueles livros que você vira páginas e páginas sem perceber o tempo passar.
Ao ler, ficava imaginando os autores Bruno e Camila visitando os lugares mais inóspitos do Brasil, onde estão presos os criminosos mais perigosos existentes, entrevistando traficantes para obter as informações mais relevantes para escrever esse livro. Me dava calafrios só de pensar!
Para os de estomago fraco, este livro não é para você.
A Guerra me mostrou, de uma maneira muito estranha, que o mundo do crime é tão organizado quanto as maiores empresas do mundo, com Salves (comunicados corporativos), Quebradas (sucursais), Sintonias (hierarquia de comando), Batismos (on-boarding) e Manifestos (códigos de conduta). Todos estes processos tão minimamente implementados, mas com uma eficacia invejável à qualquer multinacional — não fosse obviamente a natureza maligna e tenebrosa desse contexto, claro! É estranho pensar que, canalizada para o bem, toda essa energia maligna poderia transformar o Brasil em uma potência de primeiro mundo.
Um dos pontos mais interessantes do livro, para mim, foi perceber que toda essa transformação da cena do crime brasileiro — a criação de duas facções criminosas nacionais colossais — se desenrolou em menos de uma década e bem debaixo das barbas do Estado. Durante muito tempo, o Estado ignorou a existência de qualquer grupo organizado ou cartelização do tráfico de drogas (fogo de palha, “não são tão inteligentes assim”!). Pioraram a situação ao transportar indivíduos de altíssima periculosidade para outras partes do país, a fim de mantê-los “isolados” e distantes de suas gangues regionais. As autoridades acabaram espalhando o câncer pelo país afora, criando um movimento muito próximo de se tornar político e quase revolucionário. Ajudaram, sim, a espalhar o problema país afora e a promover uma polinização cruzada das piores influências existentes.
Finalmente, ao ler o livro, eu me lembrei de alguém me dizer que ideias são como virus, se espalham com incrível rapidez. Usando o moto de que “o crime fortalece o crime”, o PCC unificou um sistema caótico dentro das prisões brasileiras, criando um movimento perigoso que deixará marcas profundas no país por décadas por vir.
Leia. Essa é minha recomendação.
A Guerra: a ascensão do PCC e o mundo do crime no Brasil
por Bruno Paes Manso e Camila Nunes Dias 🇧🇷
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Um grande abraço,
Rodrigo



